Amos OZ: sobre guerra e paz em Israel e na Palestina

Tenho muito medo do futuro. Tenho medo da política do governo e envergonho-me dela. Tenho medo do fanatismo e da violência crescente entre nós, e também me envergonho dela. Mas gosto de viver em Israel. Gosto de ser cidadão de um país que tem oito milhões e meio de profetas, e oito milhões e meio de messias.

Amos OZ, Caros Fanáticos: Fé, fanatismo e convivência no século XXI

Vamberto Freitas

Bem sei que a epígrafe de acima é um pouco longa, mas estas estas palavras vindas de quem vêm não podiam deixar de abrir este meu texto. Amos OZ é um dos mais famosos romancistas e jornalistas israelitas, premiado ao longo da sua carreira nos mais diversos países por inúmeros romances, muitos dos quais traduzidos entre nós, desde A Caixa Negra, Uma História de Amor e Trevas, Judas, entre muitos outros. Nascido em Jerusalém em 1938, como adolescente, diz ele num destes seus ensaios, atirava pedras à polícia britânica que patrulhava as suas ruas antes da independência em 1948, mas isso antes de fazer amizade com um desses polícias que sabia mais do Antigo Testamento do que ele, e queria muito o regresso dos judeus à sua terra histórica e sagrada. Este seu recente livro contém três ensaios (“Caros Fanáticos”, “Luzes e não uma única luz” e “Sonhos de que Israel se deve libertar rapidamente”) que são de uma clareza fulminante – e de maior castigo não para com os palestinianos, mas sim para com os seus concidadãos após a Guerra Dos Seis Dias, a condenação do poder em Tel Aviv, assim como contra os que ele denomina de fanáticos ortodoxos, desde certos políticos aos colonos israelitas na Cisjordânia, e que ele advogada a sua retirada imediata juntamente com um diálogo persistente com os seus vizinhos muçulmanos. Aqui a nossa humanidade não tem cor, raça, etnia ou crenças religiosas. Tem o dever da convivência pacífica e justa entre todos. Reclama parte do território antes da Guerra dos Seis Dias como sendo território histórico – não só bíblico – dos judeus, mas tudo o resto, segundo o autor, deve ser feito pela paz, até por uma possível confederação entre os dois estados, que ele defende sem quaisquer reticências ou medo. O contrário será a tragédia absoluta, e quem vai perder novamente, afirma de novo o autor, serão os judeus. Sempre que enfrentaram grandes potências, relembra-nos, foram eles que perderam decididamente, desde a Babilónia até aos romanos, já sem falar no Holocausto europeu do século XX. Não se trata, nestas suas palavras brilhantes, de culpas ou acusações, antes que retomemos todos o melhor em nós sem que ninguém seja subjugado ou martirizado, como estão sendo os seus vizinhos na Palestina. Viver num mundo em caos, como vivemos, ler estas vozes é um sopro de saúde e sanidade. Amos OZ, na sua profunda humanidade e inteligência, mesmo indirectamente, não fala só do Médio Oriente, fala de nós todos, fala da decência que nos falta, fala da injustiça que graça no mundo inteiro. Não abdica da sua ideologia do esquerdismo moderado nem do seu judaísmo, mesmo que mais laico do que praticante, como não abdica na sua insistência que só o diálogo e a convivência pacífica será a nossa única salvação.

Antes de mais, uma pausa. Li há poucos tempos o romance de Amos OZ, Judas, e pouco mais tarde Horse Walks Into a Bar do grande e também muito premiado israelita David Grossman. Já há alguns anos li (em inglês) o longo ensaio deste autor intitulado The Yellow Wind (1988), em que ele tinha visitado as comunidades palestinianas sitiadas e dava conta do que viu e ouviu, nos termos mais humanistas e compreensíveis do sofrimento dos outros, dos “apátridas” em agonia. Não se trata, nestas palavras brilhantes destes dois autores, de culpas ou acusações, antes de uma espécie de apelo para que todos vivam o melhor em nós, sem que ninguém seja subjugado ou martirizado, como estão sendo os seus vizinhos na Palestina, e mesmo alguns judeus do Estado de Israel. Viver num mundo em caos, como vivemos, ler estas vozes, uma vez mais, é um sopro de saúde e sanidade. Amos OZ, na sua profunda humanidade e inteligência, não fala só do Médio Oriente, fala de nós todos, fala da decência que nos falta, fala da injustiça que graça no mundo inteiro. Não abdica, repita-se, da sua ideologia de esquerdismo moderado nem do seu judaísmo, mesmo que mais laico do que praticante, como não abdica na sua insistência que só o diálogo e a convivência pacífica será a nossa única salvação possível. Amos OZ desmonta praticamente não só todos os argumentos do Poder no seu país, como desmonta o fanatismo de todos os outros que insistem numa suposta Grande Israel. Escreve ainda com mais coragem quando diz que certos “direitos” têm de ser esquecidos. Prefere estar vivo antes de ser judeu, e se ele, os seus filhos e netos assim como todos os seus conterrâneos nacionais não poderão rezar no Monte do Templo, pois que assim seja. Avisa ainda, e relembra, que desde a fundação o seu país sempre dependeu da protecção de uma grande potência, tenha sido ela a Inglaterra, a França e até, por algum tempo curto, a União Soviética de Estaline. A crença de que os Estados Unidos serão sempre um aliado eterno, afirma ele, é um erro. A política internacional é mutável, e ninguém sabe o que poderá acontecer amanhã na América do Norte em relação a Israel. O autor pede dois estados lado a lado, dando tempo aos palestinianos de se habituarem á “normalidade”. O futuro pode guardar uma federação económica e política, a paz sem muros nem ódios irracionais. Ler estas e outras vozes daquele país é termos a esperança que neste momento todos negam. Faz um aviso muito contundente: ou dois estados, ou só um, e esse inevitavelmente seria árabe. Mais de duzentos milhões de “inimigos”, ricos e alguns armados com armas nucleares não nos deixam qualquer esperança de uma vitória de um pequeno e vulnerável país. Amos OZ não quer viver como minoria subjugada, prefere fronteiras reduzidas às suas dimensões possíveis, um Estado luminoso, e pelos outros aceitável mas seguro e normalizado.

“O facto de os Estados Unidos serem nossos aliados é algo transitório. Pode mudar. Mas o facto de que os palestinianos são os nossos vizinhos e de que nós vivemos no centro do mundo árabe e muçulmano – são dois elementos permanentes da nossa situação. O próprio perigo nuclear do Irão é um factor transitório, e não permanente porque mesmo se nós ou outros bombardeemos o seu arsenal nuclear, não seremos capazes de bombardear o conhecimento que eles detêm. E mais: o Paquistão nuclear pode tornar-se um estado islâmico mais extremista ainda do que o Irão. E mais ainda: não é possível impedir que os inimigos ricos de Israel comprem armas nucleares à venda e as lancem contra nós. Daqui a poucos anos quem quiser armas de destruição maciça poderá adquiri-las. Nesta questão também é obrigatório aprender a distinguir entre o transitório e o permanente. Permanente tem de ser a capacidade de dissuasão de Israel, enquanto as capacidades dos nossos inimigos, a nuclear e outras, são algo transitório, que no final de contas não depende de nós.”

Não, não sou nem historiador nem cientista político. Só que um grande escritor como Amos OZ sente a obrigação de comunicar com os líderes do seu país, e eu sinto a obrigação de o ler, de com ele, e outros, aprender o que pensam e como vivem todos os nossos dias. Ser cidadão de Israel deve ser viver sempre na iminência de outra guerra, no acto terrorista e mortífero de um lado e do outro, e no desgosto absoluto de ver o seu país oprimir um outro povo. Por certo que o Holocausto da Europa selvagem tem tudo isto como génese e como tragédia. O grande autor mundial não culpa ninguém aqui, a não ser os seus próprios conterrâneos, sente o direito de viver em paz na sua pequena terra, de dar um futuro seguro aos seus filhos e netos, e a todos os outros, e de permitir aos seus vizinhos que tenham a mesma vida digna, sem sofrimento nem morte. Só os grandes artistas entram na nossa alma, vão para além dos números, das figuras e acontecimentos tantas vezes mais imaginados do que verdadeiros, sempre sob uma capa supostamente académica, que depressa esquecemos. Tornam-nos um pouco mais sensíveis a nós próprios e aos outros. Um ensaio de um grande escritor é mais do que um relato de “factos” — é entrar no mais profundo do nosso ser.

___

Amos OZ, Caros Fanáticos: Fé, fanatismo e convivência no século XXI, Lisboa, D. Quixote/LeYa, 2018.

Natal da minha infância nas Fontinhas

Vamberto Freitas

     Primeiro era a Árvore do Natal que o meu pai ia buscar à serra ou aos pomares mais pertos. Depois vinha o musgo, e uma casa construída nos anos 40 tomava logo outro cheiro de frescura e alegria. Era o cheiro de Deus e da Alegria. Era ver a minha mãe e irmã a condecorá-la com as coisas mais estranhas, desde chocolates a figuras americanizadas. A meados dos anos 50 não havia luzes nem para a árvore nem para mais nada. Assim mesmo, olhávamos a sala como se fosse um milagre vindo de longe, com a maior alegria dentro de nós. Os Açores desses tempos eram muito escuros e tristes. Vinha a iluminação espiritual para os crentes. Não eram só as prendas da Noite de Natal, era a noite inteira até à Missa do Galo à meia noite numa pequena e linda Igreja a meio da freguesia. A espera das prendas era só para a manhã seguinte. Antes disso, a nossa mãe vestiam-nos e deixavam-nos ir ter com os amigos até à Casa da Música (na altura rival da Sociedade União Fontinhas, a que pertencia toda a minha família, que haveria de ajudar a erguê-la em 1952) onde nada bebíamos, só a convivência com os mais velhos, que esses, sim, se encharcavam e brincavam connosco. A meia-noite era a hora mágica. Alguns deles ainda são meus queridos amigos, na sua idade e na minha freguesia, que lembro como quem relembra um paraíso escondido numa ilha a meio mar. De repente, diziam que os meus pais chamavam e era hora de ir para Igreja. Ouvíamos todo o sermão do Padre, que hoje me parece ter saído sempre do Velho e Novo Testamento, com todas as metáforas do céu e a imagística do inferno. Tenho saudades dessa retórica ao mesmo tempo aterrorizante e de esperança, o sacerdote vestido de preto e toda a Igreja meio escurecida, com todos os santos iluminados no Altar. A madrugada era sempre celeste, na companhia dos que nos amavam e estimavam. Não eram, pois, as prendas necessariamente o que mais nos comoviam, eram esses momentos de convívio, o poder ficar acordados toda a noite imitando os adultos que saiam da Igreja e continuavam as suas conversas e a consoada noite dentro. Não acredito em magia vinda de lado algum – está em nós e no modo como esse dia nos era incutido no coração ou na alma. Por certo que o nascer do sol era também a hora da outra grande alegria e expectativa. Abrir as nossas prendas que o Pai Natal havia deixado enquanto olhávamos para outro lado era o momento dos risos e sorrisos. Continham quase todas as coisas práticas e essenciais ao dia-a-dia, desde roupa interior a uma camisa ou calças novas.

Antes de tudo isto encher-nos de alegria, havia algo mais de especial e espera ansiosa. Era quando chegavam à escola primária da Ladeira da Pena as carrinhas americanas vindas da Base das Lajes, e essa espera tornava-se quase desesperada. Cada aluno sentado no maior silêncio e respeito recebia uma pequena caixinha com tudo o que necessitávamos para as aulas: lápis, esferográficas (para nós então naqueles anos de miséria nacional eram um autêntico luxo), apagadores e berlindes. O resto do dia era feito de “negociações” entre uns e outros quando recebíamos algo menos desejado e o outro tinha exactamente o que queríamos. Cheirava à América, e os nossos doadores falando uma língua estranha sabiam disso. People to People. Sei que muita esquerda ainda hoje condena essa memória. Eu, não. Vivi sempre ao lado da América, desde esses anos na Ilha Terceira até à Califórnia dos meus tempos já de adulto e com formação académica. Mesmo na minha idade de hoje ainda recordo tudo isto com o maior carinho e gratidão, nunca esquecerei ou deixarei ver ou imaginar esses dias de alegria e generosidade. Sim, essas prendas dos meus pais e dos americanos como um gesto de amor. Há ainda quem diga que quanto a estes últimos, não se tratava de outra coisa senão de “propaganda”. Poderá ter sido, mas comigo o cinismo sempre teve os seus limites. Obrigado pelos momentos de pura surpresa e mão estendida a todos nós. Não me lembro se era no Natal ou noutra quadra qualquer. Também nos vinham distribuir um queijo inteiro no terreiro da Igreja, amarelo e manteiguento, que hoje consideraria “rafeiro”. Mas era da América e cheirava diferente, como sempre e contra a tal escuridão do dia e da noite. Muito melhor do que a miséria do nosso queijo, colocado em balcões ao serviço das moscas, enquanto os mais velhos se sentavam sem pudor nas então chamadas “vendas” em cima das sacas de farinha enquanto falavam mal uns dos outros. O nosso Natal era isto, enquanto sonhávamos com uma América ao longe, e que nos chegava dos modos mais variantes e agradáveis, até nas malas cheias de roupas que nenhuma loja teria, ou que os nossos pais pudessem comprar. Ainda hoje penso que a maioria das crianças portuguesas agradeceria esta generosidade – ou “propaganda”. Estávamos então numa terra completamente esquecida e discriminada, mesmo que disso não tivéssemos a mínima consciência. “Na memória da gente do Pico [o mesmo que dizer da Terceira, mais ou menos, ou de qualquer outra ilha nossa], escreve Natália Correia no prefácio ao livro de contos do falecido Manuel Ferreira Duarte, A Banda Nova E Outras Histórias – mantém vivo o ressentimento de no ano da fome a farinha ter chegado da América. Porque de Lisboa só vinham editais”.

 

Não saberia, nos tempos que correm, o que dar a uma criança que já nasce com um telemóvel na mão, ou uma televisão cheia de porcaria violenta. Estou em crer que eles ou elas nunca viverão tamanhos dias ou tamanha felicidade e inocência.

___

 

De Trump e de tempos assustadores

Nessa esgrima política, as evasivas, os desmentidos, os tweets, a opacidade, os clamores das fake news, a indignação, Trump tinha um problema capital que [John] Dowd conhecia, mas que nunca se atrevia a dizer na cara do presidente: ‘É um cabrão de um mentiroso’.

Bob Woodward, Medo: Trump na Casa Branca

Vamberto Freitas

     Estas são as palavras do prestigiado advogado John Dow, que a dada altura em 2017 torna-se o representante legalista de Donald Trump perante a Comissão de Robert Muller, que havia antes sido o Director do FBI e agora dirigia o Conselho Especial que investigava e investiga um possível conclui entre a Rússia e a campanha presidencial de Donald Trump, alargando logo depois para outros actos de possível corrupção de dinheiros pagos indevidamente a várias entidades, inclusive a mulheres com as quais o Presidente tinha tido casos, e os seus colaboradores pagavam-lhes agora para manter o seu silêncio. Ainda há poucos dias a grande imprensa do país dizia que Trump bem poderia vir a ser o primeiro presidente americano a acabar numa prisão por estas e outras acções. Quero deixar claro aqui que neste meu texto não vou tirar partido pró ou contra os poderes e andanças na Casa Branca, antes cingir-me a esta que é uma fabulosa narrativa do jornalista que, em parceria com Carl Bernstein, havia derrubado o Richard Nixon com a série de imparáveis reportagens sobre Watergate (mais tarde resumidas no livro que guardo na minha estante desde sempre) All The President’s Men (1974), e que acabaria com uma acção de impeachment, e eventualmente um perdão do seu sucessor Gerald Ford. Quase todos conhecem as peripécias destes últimos anos em Washington, por isso abstenho-me de repetir mesmo seja o que for, a não ser para me focar na qualidade profunda desta investigação jornalística e de uma prosa que mesmo em Português é empolgante a vários níveis, colocando o leitor em todos os bastidores desde os primeiros dias da eleição do actual presidente. Woodward gravou a maior parte das entrevistas que fez a colaboradores de Trump, ou então fundamentou a sua escrita no que ia saindo em várias publicações de referência no seu país. O resultado é uma narrativa de fôlego que agarra o leitor na sua atenção e espanto pelo que lê e vê citado. John Dow deixa de representar Trump quando este nem lhe segue os conselhos, e depois insiste em ser interrogado por um possível e ameaçador Grand Jury. O advogado dir-lhe-ia que ele seria uma testemunha péssima, e possivelmente se incriminaria a si próprio perante as mais astutas perguntas. Não queria estar sentado ao seu lado, e parecer um advogado que nunca foi: incompetente ou colocando o seu prestígio em causa. “Senhor Presidente – diz-lhe em março de 2018, segundo Bob Woodward – não posso, como advogado, como membro do tribunal, sentar-me a seu lado e deixá-lo responder a estas perguntas, quando sei que o senhor não conseguirá fazê-lo”. Fica assim tudo dito.

Queria aqui concentrar-me na qualidade da investigação e prosa jornalística de Bob Woodward. Em toda sua longa carreira no Washington Post foi um jornalista de investigações extensivas sobre vários presidentes do seu país, assim como de acontecimentos bélicos de grande alcance e o papel central dos EUA na condução da política ocidental. Até hoje, nunca foi condenado num tribunal por falsidades ou afirmações menos documentadas. Uma carreira brilhante como esta é pouco comum em qualquer parte. Provavelmente só o outro grande jornal americano, The New York Times, pode reivindicar uma história semelhante. O que mais sobressai deste Trump Na Casa Branca é a solidez das instituições nacionais, os guardiões da mais antiga democracia no mundo. A palavra “Medo” do título deste livro refere-se mais à resistência dentro da própria Casa Branca do que a um estado psiquiátrico da nação. Mostra-nos sobretudo como os assessores e outras figuras na Casa Branca resistem diariamente aos mais perigosos instintos de Trump em tudo que se refere à política doméstica, às responsabilidades mundiais de uma superpotência, e muito especialmente à segurança nacional e a de todos os aliados do país, que vão de um ponto do globo ao outro. Até documentos já elaborados, mas ainda não assinados, são surripiados da sua secretária na Sala Oval a chamadas ao Pentágono para reuniões extraordinárias, em que o Estado Maior (Chiefs of Staff) questiona e dá sugestões do que prejudica a América ou se pode tornar perigoso para o mundo. A da altura, numa reunião que Trump resiste até ao fim, fazem-lhe saber que hostilidades com a Coreia do Sul, devido a défices comerciais aos mais de 28 mil soldados na fronteira com a Coreia do Norte poderia significar uma catástrofe mundial. Explicam-lhe que têm toda a evidência que a Coreia do Norte já detém mísseis intercontinentais que lançados do seu país atingiriam Los Angeles em 18 minutos. Depois falam-lhe da necessidade da lealdade dos serviços secretos sul-coreanos, que podem detectar um disparo fatal contra o continente americano, só que em sete segundos o Pentágono seria avisado e teria tempo de ordenar uma intercepção no espaço. “Tudo tretas”, responde o homem mais poderoso do mundo. Tem passos que são de arrepiar, tem passos de total loucura, tem passos de humor pela estupidez do presidente, como tem passos, repito, que nos dão a segurança da racionalidade dos mais conservadores generais e políticos à sua volta. Até Steve Bannon, que depressa foi expulso dos corredores do Poder, nos parece racional, por mais que detestemos as suas posições, mas mostra ser o único com ideias contra as quais outros se podem opor ou atirar.

Nunca pensei que um dia escreveria isto. Obrigado ao Pentágono (Estado Maior), na sua maioria de Generais conservadores e “donos” das guerras em toda a parte, obrigado ao FBI e obrigado à CIA e a todos que na Casa Branca subvertem diariamente a maior parte das loucuras de Donald Trump. O livro de Bob Woodward tranquiliza-me como cidadão americano. Não vai ser fácil conter uma criatura como esta. Estão a conseguir até hoje. Existe um “golpe de estado” por dia dentro da Casa Branca, graças aos deuses e às instituições sólidas dos EUA.

“Dowd tenta [o seu advogado principal, como aqui já foi dito] maquilhar – na sua defesa de Trump perante a Comissão Robert Mueller – a situação o melhor possível, para não dizer que a culpa era do presidente. Era um fardo do cargo de presidente. Sabia que não podia ser insultuoso nesta discussão. Não podia dizer o que sabia ser verdade. Você é um cabrão de um mentiroso. O problema era esse”. A lista dos que entraram e depois saíram da Casa Branca é longa demais para ser elaborada aqui, mas é para esse tipo de informação que existe este livro.

Leio Bob Woodward desde os meus tempos de faculdade na Califórnia. Não tenho todos os seus livros, mas tenho alguns de primeira linha: The Final Days (sobre a queda de Richard Nixon, escrito com Carl Bernstein, e Veil: The Secret Wars of the CIA 1981-1987. A sua bibliografia é bem mais longa. Só que estes são mais do que suficientes para acreditar na sua incomparável credibilidade jornalística e como escritor de primeira categoria.

___

Bob Woodward, Medo: Trump na Casa Branca (tradução Grupo LeYa), Lisboa, 2018. Publicado no Açoriano Oriental, 21 de Dezembro, 2018.

 

De nós, do nosso tempo e da nossa solidão

Não renuncies à rota deste alfabeto/agora que migro para sul/deixo o delírio da fala/talvez o inverno da voz/e o estilhaço do cristal/nas sílabas apáticas e surdas/duma palavra moribunda

Ângela de Almeida, Caligrafia dos pássaros

Vamberto Freitas

     Que a obra literária de Ângela de Almeida vem de longe, todos sabemos, prosa ficcional e poesia, mas também em breve a sua tese de doutoramento sobre literatura portuguesa com Natália Correia em destaque, A Simbólica da ilha e do Pentecostalismo em Natália Correia, a autora que ela devolveu aos Açores de vários modos e da mais variada escrita. Falarei desses livros um puco mais adiante, mas só depois de falar desta sua poesia recentemente lançada sob o título de Caligrafia dos pássaros. Ângela esteve longe de nós durante uns bons anos, mas sem nunca deixar de trabalhar caladamente e fora dos circuitos habituais da divulgação literária aqui nos Açores e no Continente. Depois de uma vida pública fulgurante, mesmo na política cultural da nossa região, o seu esconderijo voluntário e desejado silêncio no seu trabalho foi um mistério para muitos de nós dada a sua dedicação e competência em tudo o que fez pelos outros. Está de regresso, bem sabemos, e não só na escrita. Ainda há poucos dias organizou no Centro Natália Correia, na Fajã de Baixo, aqui em São Miguel, um alargado “Colóquio Comemorativo Dos 25 Anos Da Morte De Natália Correia” sobre a sua falecida e distinta amiga, para o qual convidou escritores, poetas e ensaístas dos Açores e do Continente, como Carlos Melo Bento (que com ela viveu dias de política quente nos Açores durantes os tempos imediatos ao pós-25 de Abril) e Leonor de Sampaio da Silva, da Universidade dos Açores, aos escritores e poetas Luís Filipe Sarmento, Fernando Dacosta e Fernando Pinto do Amaral. Há aqui algo não só de nostalgia, mas, creio, também de despedida. Ângela de Almeida tem uma grande obra, e pelos vistos está desde há algum tempo a dedicar-se à sua própria memória literária e vivencial nas ilhas. Não era sem tempo. Descolarmos das nossas referências literárias é tanto uma obrigação, como até um gesto de homenagem. As gerações que nos precederam merecem que continuemos a obra sublime que nos deixaram, o seu nome está já gravado para nossa história literária e cultural para sempre. Só a continuidade dos que os seguiram os justificam. O resto é para necrófilos e outros adoradores do falso endeusamento de figuras, por mais importantes que tenham sido, que queimam tudo à sua volta, e suprimem as gerações seguintes.

Caligrafia dos pássaros corta de certo modo com toda a obra prévia de Ângela de Almeida. Esta afirmação foi-me confirmada por outro grande poeta açoriano na sua apreciação destes versos contundentes. Reencontro nestas páginas uma outra autora: serena e com toda a habilidade na manipulação das suas linguagens, temas e orientação numa outra visão do mundo. São apenas quatro poemas alongados, em estrofes breves, mas com um seguimento artístico pouco vulgar. Alguns críticos e ensaístas elevam ao sétimo céu certos “poetas” da obscuridade metafórica e imagística. Ângela opta pela clareza da linguagem e pensamento (e poesia sem pensamento nada vale), transportando os seus leitores para as mais diversas geografias e estados de alma. Intimismo ou interiorismo em conjugação perfeita com o mundo ou sociedade à sua volta, a angústia de um tempo, que é o nosso, a dominar a sua sensibilidade de poeta e cidadã. O terceiro poema deste livro denominado “ciclo de Ítaca” aponta o seu regresso a casa, a uma outra casa, que foi redefinida mas mantendo-se como espaço matricial da sua vida e existência preferida ou sofrida. Cada palavra da poeta fere-nos como ferro espetado na nossa alma, ou então como um canto à nossa vida feliz ou infeliz. O seu enclausuramento da chamada “açorianidade” dá sempre lugar à sua consciência de todo um mundo longínquo, e que nunca deixa fazer parte nós. Nem todos os homens ou mulheres são uma ilha, como disse um outro. A nossa história agora já não conhece fronteiras ou limites existenciais na arte ou em quaiquer outros textos. Somos nós, uma vez mais, todos os outros.

Não renuncies à rota deste alfabeto/agora que migro para sul/Deixo o delírio da fala/talvez o inverno da voz/e o estilhaço do cristal/nas sílabas apáticas e surdas/duma palavra moribunda/Não escrevas mais   não escrevas/ não estarei em Ítaca   amor/ nem eu nem os gemidos da pedra/pura/a primeira/a que foi a casa e montanha/ e cume de uma promessa/Ítaca para sempre Ítaca…

Estes versos pertencem ao terceiro poema do livro, intitulado “ciclo de Ítaca”, que vem em conjunto com “as fendas da pele” “ciclo do delírio” e “ciclo das horas”.

A poeta tanto olha para o estado mais íntimo como para um mundo afundado num caos aterrorizante, mas sempre através de palavras suaves que nunca agridem ou viram o leitor para um estado deprimente e muito menos pessimista. São todos estes poemas como que uma reafirmação do valor da vida e da denúncia sem acusações ou endereços de quem o torna uma dor para quem o humanismo continua a ser uma espécie de bússola na escolha pela resistência, mesmo que num isolamento calculado entre casa, biblioteca ou eventuais convivências com os seus pares, amigos e família. É precisamente esse o “corte”, agora sim, radical como uma obra que vem de longe e inclui quase todos os géneros, e que quase sempre denunciava em voz bem mais agressiva de uma sociedade sem regras nem compaixão. Ângela de Almeida evoluiu para um estado de paz consigo própria, mas sem nunca esquecer que o papel principal de um escritor ou escritora é estar atenta a tudo e a todos que a rodeiam e que transformam a sua vida, assim como a dos outros. Escreve a poeta ainda no brilhante “ciclo de Ítaca”, relembrando-nos que um ilhéu estará para sempre condenado ao regresso do seu “terreno do coração”, a força das origens permite-nos andar pelo mundo inteiro mas seguros de nós próprios e dos outros que constituem os jardins livres que teimamos em cultivar eternamente: um ciclone arrastou os verbos e a voz/e lançou-se num penhasco/lá/onde a garganta é um precipício/as órfãs palavras que aqui envio/estavam escondidas num vaso/e só por isso escaparam/talvez para te dar a notícia e enviar um beijo/esquecido no beiral de uma pérola.

Por último queria lembrar a todos, uma vez mais, que foi Ângela de Almeida que desde há muito nos “devolveu” a Natália Correia aos leitores açorianos que sabiam mais da sua vida pessoal e excentricidades do que da sua fabulosa obra de poesia, prosa e outra escrita. Por certo que agora falta esclarecer para a nossa história política o muito que ela fez nos bastidores aqui nas ilhas, e muito especialmente no resto do país quando com altas figuras desses anos atribulados ela mantinha comunicação constante, com os próprios Ramalho Eanes e Mário Soares como interlocutores privilegiados. Um dia saberemos de todo o seu enorme contributo para a autonomia do nosso arquipélago ante o resto da nação. Para isso existem figuras públicas que também com ela conviveram e muito sabem para um futuro historial nosso. Não hesito aqui em mencionar o Dr. Carlos Melo Bento, que saberá muito mais do que nós todos sobre essas questões que tardam em ser escritas, estudadas e arquivadas para as gerações futuras.

O corte com a sua própria obra prévia exige ainda mais um corte parcial com a sua dedicação aos estudos natalianos. Ângela de Almeida tem pela frente uma nova obra literária a desenvolver e a publicar. Creio que esse fecho vem já em breve, após a publicação da já referida tese de doutoramento, que está para breve. Tem essa “dívida” para connosco. Na sua reencontrada modéstia faz em Caligrafia dos pássaros uma lista que me parece incompleta, mas que não pode ser esquecida neste meu texto: sobre o rosto, 1989 e 1993, 2ª edição. O baile das luas, 1993 e 1994, 2ªediçã, uma valsa para Antília, 1994, manifesto, 2005 e a oriente, 2006.

Trata-se de um dos mais felizes regressos de uma escritora nossa, que desde há muito atravessa arrojadamente as mais variadas e longínquas fronteiras pessoais e literárias.

___

Ângela de Almeida, Caligrafia dos pássaros, Lisboa, Edições Colibri, 2018. Publicado no Açoriano Oriental, 14 de Dezembro, 2018.

A teia do pós-colonialismo português

Um dia haveria de retornar ao pó, como era forçoso que acontecesse. De Portugal, a cidadania dos mortos foi o seu único visto de residência. Da cidade de onde tinha vindo, e que em tempos se chamara Luanda, pouco restava depois do grande incêndio do tempo e, além disso, continuava a ser muito longe.

Djaimilia Pereira de Almeida, Luanda Lisboa Paraíso

Vamberto Freitas

     Já o primeiro romance de Djaimilia Pereira de Almeida, Esse cabelo, introduziu na literatura portuguesa contemporânea uma voz singular, justamente aplaudida por todos que sobre esse livro escreveram. A grande autora está de regresso com outra grande peça ficcional sob o título Luanda Lisboa Paraíso, e, uma vez mais, toma como referência histórica o colonialismo português visto e vivido em dois continentes, a teia humana urdida durante mais de quinhentos anos, e agora segurando os que nela saltam em busca não necessariamente de uma nova identidade, mas sim da cidadania a que têm direito tanto no seu país de origem como no velho país que não pode nem deve nunca ignorar a sua responsabilidade perante todos os que durante séculos tanto serviram como se revoltaram contra a indignidade de homens e mulheres praticamente invisíveis em qualquer uma das sociedades a que pertenceram ou continuam a pertencer. As personagens de qualquer um destes romances não andam a construír para si uma nova identidade, repita-se, sabem muito bem quem são e como são outros que os vêem ou não vêem na sua luta diária pela simples sobrevivência, neste caso Lisboa, relatando o seu quotidiano sem juízos de valor ou distanciamento numa terra que os acolhe quase indiferentemente, cada um deixado à sua sorte ou capacidade de luta pelo mínimo a que têm direito, e aqui o mínimo quer dizer uma barraca improvisada, alguma assistência médica que traz pai e filho, Cartola e Aquiles, à velha capital do império. “Paraíso” do título e da narrativa é absolutamente um termo irónico, onde na miséria lisboeta seres humanos tentam fazer de cada hora e dia a sua felicidade. Era esta soberba literatura que faltava em Portugal. Não falemos dos que já há anos escrevem sobre a experiência lusa nas suas antigas colónias, e cuja fama internacional está já consolidada, desde o Brasil às capitais europeias e noutras geografias. Falemos de uma grande escritora nossa (luso-angolana, se assim preferirem), que assume sem complexos o seu passado, mas tem o nosso país como sendo inteiramente seu, criada numa das mais prestigiadas cidades nos arredores de Lisboa, e formada em teoria da literatura pela Universidade de Lisboa. Cada palavra sua, na ficção, nunca apresenta essa vivência e vida intelectual. Já é simplesmente uma das nossas grandes escritoras. É um feito artístico pouco comum entre nós, só comparável a um Salman Rushdie, noutra língua e noutros tempos a partir de outra experiência.

     Luanda Lisboa Paraíso nunca “acusa” a história portuguesa em África. Aliás, não acusa nada e ninguém. As origens das suas personagens, os tempos que viveram antes e depois da sua libertação, servem tão-só para esculpir o seu interiorismo, bringing out character, como diriam alguns críticos americanos, a humanidade a saque e nunca dependente nem da História e da sua presente nacionalidade ou origens. Estão todos eles num campo de batalha pelo seu quotidiano, e lidando com a sua dor a sós ou então na companhia de outros aventureiros ou sobreviventes. A narradora recorta a sua prosa com cartas de e para Luanda, Cartola a falar com sua mulher a quem chama de Mamã, a mulher da sua vida e do seu filho em tratamento num hospital lisboeta. A sua correspondência faz-me lembrar o grande poema “Saudade” popular de Cabo Verde, e imortalizado primeiro por Cesária Évora e anos depois por Mariza e Tito Paris. Curioso e absolutamente original: nós somos vistos pelas personagens angolanas quase sempre ao longe e com olhares frios nas ruas de Lisboa, ou por outras andanças nos arredores. O seu maior amigo e convivente é um outro deslocado vindo de Espanha, de nome Pepe, proprietário de um pobre bar de bêbados e outros solitários no Paraíso, e que a certa altura leva Pepe a escrever a Cartola pouco tempo depois e em circunstâncias especiais: “Perdoa-me, Cartola, meu irmão preto”. Se a literatura é sempre um retrato de um tempo e das gentes nela inscritas, a racionalidade e a emoção andam também sempre lado a lado, a nossa humanidade, “o coração humano em conflicto consigo próprio”, como diria William Faulkner, os denotadores da nossa inteligência e da nossa emoção. Como em certos outros autores nacionais e internacionais, não encontramos aqui apenas jogos de palavras abstratas ou de pouco sentido, o escritor a querer mostrar a sua habilidade em brincar, sem graça alguma, com os seus leitores, que depressa perdem a paciência ou a memória das palavras lidas. Hesito em classificar a obra de Djaimilia Pereira de Almeida de “pós-colonialista”. Tal como outros escritores superiores de língua inglesa com um passado semelhante, a sua ficção estende-se por toda a nossa civilização, e recusa a vitimização seja de quem for.

“Tudo corria bem – diz a narradora a dada altura e já no fecho do seu romance – em Paraíso, salvo o que não podia correr pior. Não havia mais comida nas mesas nem menos agonias nem menos bolsos vazios. Pepe continuava a adormecer no pinhal, camuflado na caruma como um cadáver. Dava para imaginá-lo a ascender aos Céus sem ter de pagar por nada, levado pelos morcegos que perseguia na clareira antes de cair para o lado, atirando-lhes pedras, batendo palmas como se tentasse matar moscas. Regressava dessas tardes em que a companhia dos bichos o consolava da vinda do Inverno, como se no fundo desejasse nada ter de seu, nem casa a que voltar nem alguém a quem chamar amigo”.

Se cito aqui a condição vivencial de uma personagem não-africana é tão-só para demonstrar como a autora continua a ver mais mundo para além da sua própria história binacional, levando-nos a rever como estamos todos mergulhados no mesmo pântano humano em qualquer dos continentes que ela reclama como referências também primordiais. Há leitores que lêem esta prosa como um espelho de “identidades”. Prefiro lê-la, porque assim a entendo, como uma escritora que poderá ter em mente essas questões que abalam os nossos dias nas mais variadas fronteiras, mas é a humanidade sem cor, raça ou sequer diferenças culturais que habita cada página sua. O Paraíso de que nos fala aqui é o local da miséria e da opressão onde se encontram os que outro escritor português já chamou “os vencidos da vida”, e estão em igualdade total nas mais indesejáveis condições de vida. Por outro lado, toda a acção ou trama deste romance decorre durante os anos 80, e de Angola vamos acompanhado a luta quotidiana da restante família que lá ficou. Mesmo assim, o que vai na rua nunca se sobrepõe aos mais íntimos sentimentos e medo das personagens aqui inventadas, ou reinventadas. O que não poderemos nunca ignorar é que qualquer romance terá sempre algo de autobiográfico, ou, como já disse outro crítico, se não nos factos pelo menos nos sentimentos. Encontramos um pouco de nós próprios em qualquer uma destas figuras, dito de outro modo, o outro somos nós.

A obra de Djaimilia Pereira de Almeida está na categoria muito especialmente na comparável à de uma falecida escritora também de origem indiana, Bharati Mukherjee, autora de uma vasta obra que comecei a ler nos anos 80, especialmente os seus contos em The Middleman and Other Stories, que creio ter sido a primeira escritora imigrante na América do Norte a receber o National Book Critics Circle Award. Os temas são os mesmos. A humanidade deslocada na nossa época, o atravessar fronteiras não em busca de si próprios, mas da dignidade que lhes era devida. Mukherjee, que terminou a sua carreira brilhante na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e era amiga da sua colega e escritora luso-americana Katherine Vaz, faleceu com o desgosto de nunca ser ter sido traduzida em Portugal. Perda nossa, não dela. Pelo menos agora ficamos com uma outra autora sublime chamada Djaimilia Pereira da Costa e publicada por uma famosa editora internacional. Falta só que essa subsidiária da Penguin Random House a traduza para o Inglês.

___

Djaimilia Pereira de Almeida, Luanda Lisboa Paraíso, Lisboa, Companhia das Letras, 2018. Pubicado hoje no Açoriano Oriental, 7 de Dezembro. 2018.